B 6

Barcelona, por Demetriu Barros Celim, para o #AmigosDaCarol

Barcelona cheira outro mundo. Barcelona tem ar de outro lugar. Barcelona é para todos e é o meu lugar. Eu na verdade fui morar em Barcelona a convite de um colega de trabalho do meu antigo parceiro, o Roger.

Em 45 dias desfizemos de tudo que tínhamos, colocamos todas as esperanças e os nossos corações em duas malas de rodinhas e fomos. Quando cheguei e entrei no taxi, pensei: “Nossa, cheguei em casa”. Eu já tinha me acostumado a morar em Barcelona nos primeiros três minutos, no taxi amarelo e preto.

A cidade cospe arte em todos os cantos. É como se a cultura fosse parte da decoração e como se decoração fizesse parte de um mundo paralelo, onde a arquitetura te impressiona, te encanta e faz o teu estômago embrulhar e vir na boca. Arquitetura de Barcelona dá vontade de chorar.

Eu não tenho por onde começar e não sei escolher a mais forte referência que tenho da cidade. Eu tenho todas. Tudo faz parte e simboliza. Para um turista que quer fazer o clichê interessante, o mínimo que sugiro são 10 dias. Começando se perdendo na Plaza Catalunya.

Não precisa nesse primeiro momento entrar em nenhuma loja, nem comprar nenhum souvenir. Vale a pena sentar e sentir. Escutar o idioma, que para mim é altamente pornográfico e instigante. Basta tomar uma água de garrafa gelada, ou uma tradicional e deliciosa sangria – porque o turista vai ter que ir no verão. Barcelona é do verão, é calor. Barcelona é do Mediterrâneo que gela e arrepia, dos seios das meninas a mostra, do tronco esguio dos skatistas expostos, das senhoras que vão e vêm e fumam e andam com seus cachorros nas coleiras, sempre lindas e maquiadas.

Descer a famosa Las Ramblas, é o que entendo ser um passeio dentro da alma da cidade. É como se você pudesse andar dentro da atração “Eva”, do extinto Playcenter: onde você visualiza os órgãos e sente como tudo funciona. Tem clichê, tem ladrão, e tem michê, mas é tudo tão lúdico que você não vê.

B 7

Pare em qualquer um dos bares e peca uma das famosas tapas. Eu sempre ia nas batatas bravas, que são sequinhas e com uma maionese apimentada muito boa. O Espanhol eh bem chegado num álcool, então acho que combina pedir sempre um vinho ou um espumante, para quem quer fazer o fino, mas cerveja gelada, preferencialmente da marca Estrella Galicia, cai muito bem.

B 1
Olha a batatas bravas, ali no fundinho da foto!

No final das Ramblas, tome um sorvete e entre no “Las Golondrinas”, um passeio de barco que deve custar uns 10 euros e tem duração de uns 30 minutos. Dá pra fazer fotos lindas com gaivotas mil, pôr-do-sol espetaculoso e passar perto de majestosos navios de cruzeiros – as pessoas nos barcos abanam, você retribui e sorri 🙂

No outro dia vale a pena ir direto para o Parc Guel. Uma das chapações mais marcantes da cidade. Eu falo todo o tempo que o Antoni Gaudi usava opio para compor seus trabalhos. É tudo parte de um paraíso particular, de uma cena de Tim Burton com muito marshmallow. A vista do parque – para a deslumbrante cidade e para o mar – não fica atrás de todas as peculiaridades que existem por lá.

 

B 3
Eu e a Carol, em uma de suas visitas, no Parc Guell

Quase toda esquina tem um “paki”, onde os paquistaneses vendem pães no formato baguete rústica. Como a farinha da Espanha é altamente superior a nossa, essa iguaria deve ser consumida diariamente com todos os frios possíveis e muita Sangria, que é vendida em caixinhas Tetra Pak.

Se você gosta de praia como eu, tente ir para Marbella, um pouco mais pra frente porque Barceloneta é muito lotada e tem muito turista. Você curtir a praia, antes passando num posto de gasolina e comprando uma Cava bem gelada, por menos de 5 euros. Curtir com seus amigos um pouco do mar e depois passar nos restaurantes no Port Olimpic.

Coma a paella porque é o que tem de mais típico. Na volta, no fim da tarde, vá caminhando por toda a praia de Barceloneta. É uma experiência única e emocionante. Muito esporte, muita gente bonita, o sol parece que faz parte da pintura toda. Tire uma foto perto do peixe dourado, uma obra contemporânea do arquiteto Frank Gehry. O peixe é uma expressão de sua raiva contra as inutéis referências históricas do pós-modernismo, diz o artista.

Champanheira também todo dia. Tacas de champanhe docinho são servidos por centavos de euros, e você é obrigado a comprar os bocadillos (escandalosamente deliciosos) para não ficar tão bêbado. A bebida é muito doce e chapa. Eu comi muito, bebi muito e fui convidado a me retirar de maneira catalã.

 

B 4

Para quem quer ver mais da cidade, deve ir para o Montjuic. Tem um parque de diversões no topo da montanha e uma vista fabulosa de todos os ângulos da cidade. A noite vale a pena aproveitar para fazer turistão nas fontes de Montjuic. Tem um castelo lindo, datado do século XVIII e de quinta a domingo das 21:00 as 23:00 tem um show de águas bem legal. O visual é incrível, tanto de cima do castelo, quanto de perto das fontes magicas.

B 5

Casa Battló pra mim foi como usar ópio – que nunca usei. Mas é uma das arquiteturas mais surreais que já vi em minha vida. De fato, o Gaudi era um ser humano muito acima da média, e um cérebro que para mim chega a ser extraterreno. A visita é paga e tem um pouco de fila sempre, mas vale muito a pena. Atravesse a rua e tem a La Pedrera, outra obra do modernista famoso e muito bacana a visita.

CB

 

Quem quiser fazer um passerio de tram, eh um transporte bem legal – principalmente pra quem eh caipira como eu. É um trenzinho modernoso que circula por boa parte da cidade e que vale a pena parar em um dos pontos do El Corte Inglés: um dos lugares de energia mais oitentistas que já fui em minha vida. O cheiro, atmosfera, as pessoas, uma loja de departamentos de vários andares e no térreo um mercado muito charmoso, onde você encontra produtos bacanas de todo o mundo para todos os bolsos.

Pegue uma tarde para conhecer o Palau de la musica, ao contrário que muitos pensam, essa obra é do arquiteto barcelonês Lluís Domènech i Montaner, um dos mais incríveis representantes do modernismo Catalão. O lugar parece locação para filmes do Tim Burton, cheio de detalhes e rico em cores, formas e estruturas. Se animar, até compre um ingresso para algum show, que deve ocorrer pela noite.

PDLM
Fachada do Palau de la Musica

A noite aproveite para passear pelo bairro medieval Born. Uma mistura de lojinhas e bares novos e antigos, eh um dos lugares mais deliciosos para se caminhar e se perder pelas ruinhas bastante estreitas, cheias de varais com roupas e mostras e maravilhosas varandas, com flores e vasos e perfumes e sabores.

Barcelona não tem cereja do bolo, porque tudo é muito tudo. Mas o que me impressionou e me emocionou muito, foi a famosa e inacabada igreja La Sagrada Familia. É impressionante pelo tamanho, pelas formas, pela riqueza imensurável de detalhes e cheia de mensagem subliminar. Devo ter ficado umas 3 horas ali dentro, e devo ter ido umas 10 vezes na frente, só para ficar observando. Se fosse mil vezes, ainda não conseguiria ver todos os detalhes.

B 8
Fazendo pose na Sagrada Familia

Eu poderia ficar falando por horas dessa cidade, que tive a oportunidade de morar. Tem muito mais espaços para serem explorados e citados aqui, mas acredito que já tem idéias para passeio para vários dias. Pensando bem, vale a pena ficar uns 15 dias e poder experimentar tudo que a cidade oferece. O mais incrível de tudo isso, foi poder estar na mala da Carol. Tive o privilégio de receber a visita dela e da mala, duas vezes, e muita das coisas incríveis que vivi, estava com ela.

Bon viatge!

 

 

 

 

 

Carol

Sobre Carol Pascoal

Brasileira, residente em Londres, profissional de visual merchandising e blogueira. Viajar é minha paixão e por isso criei o Na Mala com Carol, onde escrevo sobre minhas experiências e tudo que faz parte do meu estilo de vida.

Comente